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  FESTA DOS TABULEIROS
    Festa dos Tabuleiros Construção de um Tabuleiro
 
  O Culto do Espírito Santo   Festa dos Tabuleiros 2007  
 
 
 O CULTO DO ESPÍRITO SANTO

Na cidade de Tomar em fins de oitocentos, a configuração da cerimónia dos festejos correspondia a um modelo temporal típico das festividades em honra do Divino Espírito Santo e desenrolavam-se por todo o período do Pentecostes. Estes festejos começavam no Domingo de Páscoa, altura em que saía o cortejo da casa do mordomo (actualmente saía da Santa Casa da Misericórdia), acompanhado por gaiteiros e tamborileiros, a que se seguia o “Pendão do Espírito Santo” empunhado pelo juiz e por um mordomo e dois festeiros que transportavam em salvas de prata as Coroas Cerimoniais, a seguir seguiam-se os restantes festeiros e o povo. Seguiam para a Igreja, onde depositavam as coroas na banqueta do altar até se finalizar a cerimónia religiosa. Seguidamente o cortejo regressava ao local de partida e nos Domingos a seguir este cortejo saía sempre à rua. Na sexta-feira antes do Pentecostes saía então à rua a grande Procissão em Honra do Divino Espírito Santo (actual Procissão dos Tabuleiros, hoje realizada ao Domingo).
Em todo o concelho de Tomar, nas várias aldeias, realizavam-se também festejos em honra do Divino Espírito Santo, como por exemplo: Paialvo, Carregueiros… O século XX, trouxe grandes modificações aos festejos em Tomar, como por exemplo a distribuição da Pêza (tanto o pão como a carne) passou a ser distribuído apenas pelos mais necessitados. Em 1950 dá-se uma grande transformação na ordenação dos festejos, visto que no Grande Cortejo da Festa dos Tabuleiros passaram a participar pessoas pertencentes ás diferentes freguesias do concelho de Tomar. O cortejo foi dividido em duas partes, o da “Coroas e dos Pendões” e o dos “Tabuleiros”, ambos realizados seguindo regras de cerimónia e a data de realização destes cortejos passou a ser em Junho.
Estes grandes Festejos alargam-se assim a todo o concelho englobando diversos espectáculos turístico-culturais.
Desde 1950 que muitas das motivações devocionais, têm vindo a ser substituídas por motivações funcionais de auto-estima comunitária, embora se façam esforços para manter esta tradição não perdendo os seus modelos tradicionais.

Existem documentos que relatam festividades do Divino Espírito Santo em Tomar desde o ano de 1844 (num livro de Actas e Contabilidade da Academia Philarmonica Thomarense). Só a partir de 1879 é que começam a aparecer as primeiras descrições impressas. As celebrações iniciavam-se tradicionalmente no Domingo de Páscoa, dia em que pela primeira vez saíam e ainda saem o Cortejo das Coroas, conduzidas por três mordomos. Antigamente o cortejo saía de casa do mordomo principal, só mais tarde quando se começou a guardar o Pendão e as Coroas na Santa Casa da Misericórdia é que o cortejo começou a sair desta.

A Festa dos Tabuleiros em Tomar realiza-se habitualmente de 4 em 4 anos no princípio do mês de Julho. A origem desta festa tradicional está no Culto ao Divino Espírito Santo, este culto foi instituído pela Rainha Santa Isabel. Na Festa dos Tabuleiros podem-se observar características das antigas festas das colheitas, quer seja pelo pão ou pelas espigas de trigo presentes nos Tabuleiros.
O ponto alto dos festejos é o Cortejo dos Tabuleiros, mas existem também outras atracções culturais e recreativas como o Cortejo dos Rapazes, o Cortejo do Mordomo, as ruas típicas ornamentadas, os Jogos Populares, os Cortejos Parciais, a Pêza…
 

A Tradição dos festejos em honra do Divino Espírito Santo no Concelho de Tomar

Além da Ribeira
Além da Ribeira era uma denominação popular da freguesia da Santa Maria do Olival. No adro da Capela desta freguesia abençoavam-se tradicionalmente os tabuleiros concorrentes à festa, só a partir de 1893 se passaria a fazer a bênção na então Capela Real de S. João Baptista (S. João Baptista foi elevada a freguesia em 12 de Dezembro de 1933). Pensa-se que este culto terá sido efectuado em altar privativo na Igreja de Santa Maria do Olival, o que, possivelmente explica o óleo sobre tela ali existente, representando o Pentecostes. O Pendão actual data de 1985.

Alviobeira
A Igreja de S. Pedro pertenceu à Ordem de Cristo e, no tempo de D. Beatriz, à Capela de Santa Maria de Pias, da qual mais tarde se separou. Na paróquia existe um Espírito Santo posterior a 1510, isto porque não aparece mencionado nas Visitações desse ano.
A população desta freguesia participa na romaria de Nossa Senhora do Pranto (2ª feira do Espírito Santo) em Dornes e participam também na Festa dos Tabuleiros desde 1950.

Asseiceira
Em 1188 esta povoação já existia, quando foi doada pelos Templários a Pais Farpado com a obrigação de este ali manter uma albergaria para hóspedes e transeuntes pobres. Em 1926, Pedro Ferreira e sua família, doaram ao Templo o lugar de Asseiceira que aquela Ordem lhes tinha doado. Na Igreja Matriz guarda-se uma Coroa do Espírito Santo, em prata com quatro imperiais, encimados pela pomba (datada de 1544). Destaca-se também uma pintura a óleo sobre tábua figurando o Pentecostes. O povo desta freguesia participa sempre na Festa dos Tabuleiros.

Beberriqueira
É tradição desta freguesia, participar na Festa dos Tabuleiros e levam sempre uma Coroa datada do séc. XVIII.

Beselga
A Igreja Matriz pertenceu à Ordem Templária e mais tarde à Ordem de Cristo. Aqui se guarda um Trono de Graça, em pedra, mutilado. Desde 1950, que esta freguesia participa na Festa dos Tabuleiros.

Bexiga
Bexiga juntamente com Peralva, Venda da Peralva e Charneca constituíam o terceiro ramo ou zona que estava encarregada da Festa do Divino na freguesia de Paialvo.

Carrascal
Carrascal, Carrazede, Vila Nova, Delongo, Casal de Baixo e Casal João Dias, formavam a segunda zona que estava encarregada da Festa do Divino Espírito Santo na freguesia de Paialvo.

Carregueiros
Na Igreja de S. Miguel, o Divino Espírito Santo possui o seu Trono de Graça, em pedra. É organizado anualmente o “Império”, pela respectiva Irmandade, e até 1977 só uma vez não se cumpriu esta tradição. Nesta festa é necessário que haja um juiz (casado) e uma juíza (esposa do juiz), estes ficam incumbidos de determinadas tarefas. Esta tradição “Império”, tem inicio na sexta-feira antes do Pentecostes e a Procissão dos Tabuleiros inicia-se sempre à porta do juiz, seguindo em direcção à Igreja de S. Miguel onde o pão é benzido. Nesta Procissão, os Tabuleiros destinam-se a cumprir promessas, são decorados com flores naturais e não obedecem a nenhum padrão tipo, imposto no Grande Cortejo de Tomar. Nessa mesma sexta-feira à tarde e no Sábado o pão benzido, que é transportado num carro de bois ornamentado, é distribuído ao som de gaita-de-foles, pelo povo e confrades, sendo depois guardado ciosamente. No Domingo, a festa inicia-se na Igreja onde, após a missa, tem lugar uma primeira cerimónia de coroação. Seguidamente toda a comunidade segue em cortejo para a Casa da Coroa, na qual irá decorrer uma nova cerimónia de coroação. Na segunda-feira de Pentecostes decorre a cerimónia da Entrega da Coroa, juntamente com todas as restantes alfaias religiosas pertencentes à função. A Coroa de Prata é habitualmente guardada num cofre, que na Procissão é conduzido à cabeça da juíza anterior, neste cofre é depositado também os livros das actas e registos da confraria. Numa caixa à parte vai a Cruz de Prata.
Para que se realize o ritual de Entrega da Coroa, o juiz antigo e o juiz actual combinam a hora a que cada um sairá das suas respectivas casas, cada um com os seus mordomos. O sinal de partida é dado por um foguete deitado pelo juiz antigo, que logo é respondido por outro foguete deitado pelo juiz actual. Quando se encontram, lançam-se foguetes e seguem caminho até meia distância da casa do juiz actual, onde decorre a festa. Concluída a cerimónia de Entrega da Coroa, os presentes encaminham-se para o local onde serão lançadas nove dúzias de foguetes.

Casais
Na Igreja de Nossa Senhora do Reclamador, guarda-se uma Santíssima Trindade em pedra. Nesta freguesia, realizam-se festejos em honra do Divino, onde chegavam a desfilar cerca de 300 Tabuleiros. Hoje em dia estes festejos realizam-se integrando os Tabuleiros no grande Cortejo de Tomar.

Castelo Novo
É uma localidade da freguesia da Serra, nela se realizava uma festa em honra do Divino pelo Pentecostes, na qual era oferecido um bodo (pão e vinho à descrição).

Madalena
A Igreja de Sta. Maria Madalena foi pertença da Ordem de Cristo. Diz-se que em 1940 se realizava nesta freguesia uma festa em honra do Espírito Santo, com uma procissão de Tabuleiros. Actualmente esta freguesia participa na Festa dos Tabuleiros.

Curvaceiras
Antigamente fazia parte da quarta zona encarregada da organização dos festejos em honra do Divino Espírito Santo na freguesia de Paialvo.

Junceira
O povo desta freguesia é devoto do Divino Espírito Santo, sendo que todos os anos este povo participa na Procissão da Festa dos Tabuleiros em Tomar. Na Igreja Matriz está guardado um Trono de Graça em pedra. Nesta localidade existiu uma confraria do Espírito Santo.

Olalhas
A população desta freguesia participa no Cortejo da Festa dos Tabuleiros em Tomar.

Paialvo
A festa do Divino Espírito Santo nesta freguesia é tida como tradicional e quase sempre realizada pelo Pentecostes. Para a realização desta festa, a freguesia era dividida em quatro zonas e cada zona fazia a sua festa numa zona diferente. Uma zona era constituída por Paialvo, outra por Carrazede, Carrascal, Vila Nova, Delongo, Casal de Baixo e Casal João Dias, outra zona era constituída por Peralva, Venda da Peralva, Bexiga e Charneca e por fim uma zona somente constituída pelas Curvaceiras. A insígnia desta Festa era uma bandeira encarnada, uma coroa de prata maciça encimada por uma bem esculpida pomba, que simbolizava o Divino Espírito Santo, e uma salva de prata, tudo artisticamente lavrado.

Pedreira
Na Igreja Matriz, que em 1530 pertencia à freguesia de S. Miguel de Porrais, existe uma figura do Espírito Santo quinhentista, todo em pedra. Existem registos que nesta freguesia se realizavam festejos em honra do Divino Espírito Santo, que também eram conhecidos por Festa dos Tabuleiros.

Poço Redondo
Tem uma Ermida dedicada ao Divino Espírito Santo. Realizavam-se aqui Festas em honra do Divino Espírito Santo, que eram organizadas pelo pároco. Nestes festejos destacavam-se a parte religiosa, que englobava missa, sermão e procissão. As ruas eram decoradas com flores, bandeirinhas e musica sempre a animar a festa. A procissão era composta por fogaças que eram oferecidas por populares para cumprirem promessas feitas.

Sabacheira
A partir de 1950, a população da Sabacheira começou a participar na Festa dos Tabuleiros, festejando assim o Divino Espírito Santo.

Serra
Nesta freguesia houve um incêndio que destruiu uma Coroa antiga, sendo que só ficou intacto um pendão (um dos mais ricos que se apresentaram no cortejo dos Tabuleiros de 1950).

 
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